Magnamed e o mercado global

A cidade de Pompano Beach, na Flórida, foi a escolhida pela empresa de equipamentos médico-hospitalares Magnamed para servir de base para a sua primeira fábrica no exterior. Com investimento inicial de R$ 2 milhões, a filial americana terá, a princípio, capacidade de produção pequena apenas 25 equipamentos por mês. Mas seu papel será estratégico: abrir novas frentes nos Estados Unidos, México, Canadá e América Central. "Os Estados Unidos detêm o maior mercado global de produtos de saúde do mundo", diz Wataru Ueda, 56, CEO da Magnamed. "A fábrica tornará possível competir em igualdade de condições com os produtos locais".

 

Pelas leis americanas, produtos fabricados no país têm prioridade nas licitações as regras se estendem ao México, Canadá e América Central, por conta de tratados comerciais assinados com o governo americano. "Vamos ganhar competitividade em todos esses países. Antes, ficávamos atrás dos produtos locais e dos americanos", diz Ueda. Os aparelhos produzidos pela Magnamed devem começar a ser vendidos no mercado americano no quarto trimestre, após a obtenção de registros junto à FDA (Food and Drug Administration).


A abertura da unidade fabril na Flórida é apenas mais um capítulo de uma estratégia bem desenhada de internacionalização. "O mercado externo está no radar da empresa desde a fundação, em 2005", afirma Ueda. Os três sócios Ueda, Tatsuo Suzuki e Toru Miyagi Kinjo trabalhavam em uma empresa que fabricava ventiladores pulmonares. Depois de tentar, sem sucesso, introduzir inovações nos produtos, decidiram deixar o emprego e abrir seu próprio
empreendimento, com foco em suportes ventilatórios utilizados para transporte de emergência e unidades de terapia intensiva.


"Sabíamos que, mesmo para vender no Brasil, teríamos que competir com grandes players da Alemanha, Suécia e EUA. Isso nos motivou a fabricar pensando no mercado externo", diz Ueda.
A primeira participação em feiras internacionais aconteceu em 2007, quando a Magnamed estava incubada no Ciatec/USP. "Quando fomos para Dusseldorf, na Alemanha, ainda não tínhamos produtos para apresentar. A ideia era buscar canais de distribuição. No ano seguinte, levamos protótipos ou subpartes que poderiam interessar a outros fabricantes", diz Ueda.


Com o apoio da Associação Brasileira da Indústria de Artigos e Equipamentos Médicos e Odontológicos (Abimo), a Magnamed passou a ser conhecida em eventos como a Medica (Dusseldorf), Arab Health (Dubai) e FIME (Miami).


Um aporte do fundo Criatec, em 2008, tornou possível a abertura da fábrica em Cotia (SP). Dois anos depois, a empresa recebeu a certificação BPF, concedida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para fabricar equipamentos médicos no Brasil.


Em paralelo, conquistou a certificação da Comunidade Econômica Europeia, que permite a comercialização na Europa e em regiões que não têm certificações próprias e utilizam o selo europeu. "No final de 2010, fechamos um contrato com distribuidores da África do Sul para vender o Oxymag, utilizado em transportes de emergência. Foram as primeiras exportações da Magnamed", afirma Ueda.

 

Europa, América Latina e Oriente Médio vieram na sequência. Hoje, os equipamentos são distribuídos em mais de 50 países em quatro continentes, com destaque para Colômbia, México, Panamá, Egito, Tunísia e Turquia. O próximo passo será a abertura de escritórios em países estratégicos. "A estratégia permitirá aumentarmos nossas margens, que hoje ficam diluídas nas mãos dos distribuidores", afirma Ueda.

 

Atualmente, um terço da produção mensal da Magnamed tem como destino o mercado externo. Para 2017, a expectativa é que o faturamento chegue a R$ 45 milhões. Destes, R$ 16 milhões devem vir do exterior um crescimento de 45% em relação ao ano passado. "O crescimento no mercado externo compensou a queda nas vendas internas", diz Ueda. Em relação à nova fábrica em solo americano, o empreendedor é otimista: "Esperamos faturar R$ 6 milhões no primeiro ano
de funcionamento".

 

 

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