Síndrome Pós-COVID

Segundo Raveendran, Jayadevan e Sashidharan (2021), o termo “COVID longa” ou síndrome pós-covid foi primeiramente utilizado em uma mídia social para descrever persistência dos sintomas por semanas ou meses após a infecção aguda pelo SARS-CoV-2.


O National Institute for Health and Care Excellence do Reino Unido possui uma classificação diferente em seu guideline; este considera “COVID longa” a persistência de sintomas por 4 a 12 semanas e “síndrome pós-covid” a manutenção de sintomas por mais de 12 semanas na ausência de um diagnóstico alternativo.


Após a recuperação da fase aguda da doença, 1 em cada 5 pessoas manterão sintomas por 5 semanas ou mais, independente da gravidade da infecção aguda; 1 em cada 10 pessoas podem, ainda, apresentar sintomas por até 12 semanas ou mais.

Abaixo uma figura que representa a classificação da “COVID longa”:




Mas qual a explicação fisiológica para a persistência dos sintomas de COVID?

Existem vários artigos que tentam explicar o processo patofisiológico envolvido na síndrome pós-covid. Nalbandian et al (2021) cita 3 mecanismos potenciais que contribuem nesse processo:


  1. Mudanças patofisiológicas vírus-específicas;

  2. Alterações imunológicas e dano inflamatório decorrente da resposta à infecção aguda;

  3. Sequelas esperadas após o período crítico da doença;

Alguns autores relatam que é útil lembrar que, em qualquer paciente, múltiplos mecanismos podem estar relacionados à persistência de sintomas e à síndrome pós-covid.


Também se cita que, ao categorizar a síndrome pós-covid com base nos sintomas que se mostram predominantes pode ajudar a identificar a etiologia e, com isso, focar na abordagem adequada para o tratamento. A exemplo, síndrome pós-covid cardiorrespiratória ou síndrome pós-covid neuropsiquiátrica; o primeiro pode apresentar-se com tosse e dispnéia, enquanto o segundo apresentará cefaléia, insônia, depressão etc.


A incapacidade associada à síndrome pós-covid é uma das suas principais características já que, o impacto nas unidades de saúde e de reabilitação pode ser grande. É visível, principalmente, o impacto na saúde mental. Alguns artigos mostram que até 30% dos pacientes podem apresentar sintomas de ansiedade e/ou depressão depois da recuperação da fase aguda.

Na imagem abaixo podemos reconhecer que, um paciente com a infecção aguda por SARS-CoV-2 pode apresentar uma recuperação total ou evoluir para a “COVID longa”, este último deverá ter um monitoramento por longo período, suporte de saúde mental, suporte de serviços de reabilitação e de serviço social, assim pode-se demonstrar o impacto da síndrome nos serviços de saúde.



Por fim, como a doença é nova, as consequências para sua evolução a longo termo só serão esclarecidas com a avaliação clínica apropriada e o acompanhamento desses pacientes por mais tempo.




Referências

Carod-Artal FJ. Post-COVID-19 syndrome: epidemiology, diagnostic criteria and pathogenic mechanisms involved. Rev Neurol. 2021 Jun 1;72(11):384-396. English, Spanish. doi: 10.33588/rn.7211.2021230. PMID: 34042167.

Nalbandian, A., Sehgal, K., Gupta, A. et al. Post-acute COVID-19 syndrome. Nat Med 27, 601–615 (2021). https://doi.org/10.1038/s41591-021-01283-z

Raveendran AV, Jayadevan R, Sashidharan S. Long COVID: An overview. Diabetes Metab Syndr. 2021;15(3):869-875. doi:10.1016/j.dsx.2021.04.007



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