Monitorização da Ventilação Mecânica

O paciente submetido à ventilação mecânica precisa que sua respiração espontânea seja substituída, total ou parcialmente, diminuindo o trabalho respiratório e melhorando as trocas gasosas. Mas, após a instalação do suporte, como proceder? Como melhor monitorizar esse paciente e evitar lesões induzidas pela ventilação?


Um ventilador mecânico dispõe de uma gama de recursos para auxiliar o profissional à melhor monitorizar e cuidar de seu paciente na terapia intensiva, e é responsabilidade desse profissional manter verificação contínua desses diversos parâmetros, de forma a prover o cuidado mais adequado e seguro.


As curvas, mostradas de forma dinâmica na tela do ventilador, ajudam a visualização de possíveis assincronias; a correta utilização de parâmetros como PEEP, frequência respiratória, pressão inspiratória, pressão de platô, FiO2 e driving pressure provê uma ventilação protetora para esse pulmão; recursos como p.01, complacência, resistência, PEEPi, ajudam no controle da mecânica ventilatória.


Essas variáveis estão sempre presentes na rotina do cuidado do paciente em terapia intensiva! Os ajustes devem ser feitos de forma a evitar a lesão induzida pela ventilação mecânica (VILI).


Um artigo de Bertoni et al (2020), descreve um fluxograma de causas que levam a injúrias pulmonares e miotrauma:


Podemos observar que algo a ser sempre monitorado são as curvas na tela do ventilador, a fim de verificar possíveis assincronias, estes são fatores determinante no prognóstico do paciente em suporte ventilatório.


Visualizar se há algum tipo de assincronia de disparo ou ciclagem ajuda na prevenção tanto de injúria pulmonar (VILI) quanto nos traumas musculares que atingem o diafragma.


A utilização de uma PEEP adequada, nem baixa para não gerar atelectrauma (e aumentar o efeito Pendelluft), nem excessivamente alta levando a possíveis barotraumas; e uma pressão inspiratória suficiente, considerando o volume corrente ideal, são parâmetros importantes a serem monitorados pela equipe.


Em outro artigo, Goligher et al (2020), são propostos princípios para a adequada monitoração do paciente:


· O esforço ventilatório deve ser verificado rotineiramente durante a ventilação mecânica como parte de uma escala de risco para injúria pulmonar e diafragmática;


  • É encorajado o uso e a prática de técnicas para a mensuração do esforço respiratório, incluindo o uso de pressão esofágica, atividade elétrica diafragmática, ultrassom diafragmático e p.01;

  • Desenvolvimento de técnicas automatizadas para monitorar esforço e sincronia;

  • Monitoração rotineira do VC (volume corrente) para verificar se o que está sendo entregue é o programado;

  • Pressão esofágica é a técnica de referência para monitoração em tempo real tanto para o esforço ventilatório quanto para verificação de stress pulmonar.


A ventilação mecânica não é uma receita, fechada, que se pode utilizar para todos as pacientes. Justamente por isso, a monitorização adequada de todos os parâmetros referentes à ventilação é tão importante.



Referências:

Bertoni M, Spadaro S, Goligher EC. Monitoring Patient Respiratory Effort During Mechanical Ventilation: Lung and Diaphragm-Protective Ventilation. Crit Care. 2020;24(1):106. Published 2020 Mar 24. doi:10.1186/s13054-020-2777-y

Goligher EC, Dres M, Patel BK, et al. Lung- and Diaphragm-Protective Ventilation. Am J Respir Crit Care Med. 2020;202(7):950-961. doi:10.1164/rccm.202003-0655CP


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