Síndrome do Desconforto Respiratório Agudo (SDRA) e sua relação com a covid-19


A Síndrome do Desconforto Respiratório Agudo (SDRA) é uma grave lesão pulmonar, no qual há um aumento significativo de processos inflamatórios que se acumulam nos sacos de ar dos pulmões, o que impede que o oxigênio chegue aos demais órgãos. Por isso, pessoas nessa condição sofrem com intensa falta de ar e precisam do auxílio do ventilador pulmonar para respirar.

Apesar de não haver um tratamento específico para a SDRA devido aos multifatores que a causam, existem diversas estratégias terapêuticas para a Síndrome do Desconforto Respiratório Agudo, dentre elas:

  • Pressão contínua nas vias aéreas (CPAP) – Esse modo é caracterizado por manter uma pressão positiva contínua durante todo o ciclo ventilatório e o paciente pode respirar espontaneamente.

  • Hipercapnia permissiva – limitação proposital da ventilação mecânica a fim de aumentar os níveis de PaCO2 (pressão parcial de CO₂ no sangue arterial)

  • Pressão positiva expiratória final (PEEP) – funções: expandir os alvéolos; melhorar a troca gasosa e oxigenação, porém níveis excessivos podem acarretar efeitos adversos hemodinâmicos, devido ao aumento das pressões e à diminuição do retorno venoso (pré-carga).

  • Manobras de recrutamento alveolar (MRA) – aumento na pressão pulmonar para expandir os alvéolos colapsados e aumentar a PaO2 (pressão parcial arterial de oxigênio).

  • Fração Inspirada de Oxigênio (FIO2) – variável que pode aumentar a concentração de oxigênio (O2) no ar inspirado para combater a diminuição da oxigenação (sintoma comum a pacientes com insuficiência respiratória).

  • Posição prona – entenda como se dá a utilização dessa manobra no tratamento de pacientes com covid-19, acessando nosso artigo.

Seguindo o guia da Surviving Sepsis Campaign - criado pela Sociedade Europeia de Medicina Intensiva e a Sociedade de Medicina Intensiva - pacientes com pneumonia resultante do contágio de covid-19 devem ser tratados seguindo os mesmos procedimentos da SDRA.

Porém, apesar de algumas semelhanças entre si, especialistas têm refutado essa recomendação, por entenderem que o coronavírus é uma doença diferente e específica, que possui suas próprias características de sintomas e, portanto, de tratamentos. A principal particularidade se refere à presença de hipoxemia grave.

Para entender como a hipoxemia silenciosa age nos pacientes com covid-19, acesse nosso artigo.

No diagnóstico, os pacientes apresentam diferentes padrões, que variam de acordo com a gravidade da infecção, resposta do paciente, presença de doenças pré-existentes, capacidade de resposta da hipoxemia em relação à ventilação, além do intervalo entre os primeiros sintomas e a entrada para tratamento no hospital.

Com isso, os padrões podem ser divididos em dois fenótipos, que vamos chamar de A e B. O fenótipo A apresenta:

  • Baixa elastância (alta complacência)

  • Baixa relação ventilação/perfusão, com pressão quase normal da artéria pulmonar

  • Baixo peso pulmonar (medido pela tomografia computadorizada (TC))

  • Baixa capacidade de recrutamento pulmonar, com baixa proporção de tecido pulmonar não aerado

Se o fenótipo A piora, ele se encaixa nas características do B, que são:

  • Alta elastância, associada a aumento do edema

  • Shunt da direita para a esquerda

  • Peso pulmonar alto, com aumento > 1,5 kg na TC

  • Alta capacidade de recrutamento pulmonar

Essa piora pode ser causada pela própria evolução da doença ou por alguma lesão resultante da ventilação. Ou seja, em alguns casos, a ventilação pode não estar ajudando o paciente e sim piorando seu quadro.

Por isso é importante estar atento à condição clínica do paciente para entender qual o melhor tratamento e, assim, minimizar os riscos de lesões pulmonares nos pacientes do fenótipo A. Já os pacientes do fenótipo B, que apresenta os mesmos critérios da SDRA, devem ser tratados com a intervenção da ventilação pulmonar com o modo ventilatório mais adequado (que também deve ser avaliado pela equipe médica).


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