Cânula nasal de alto fluxo: uma alternativa inovadora para o paciente


A cânula nasal de alto fluxo (CNAF) é uma alternativa inovadora de suporte respiratório, sem máscara e mais confortável. O dispositivo fornece ao paciente uma mistura aquecida, umidificada, um fluxo contínuo podendo atingir até 60 litros por minuto e uma fração de oxigênio de até 100%. Os níveis de fluxo são altos o suficiente para gerar pressão positiva e o aquecimento e a umidificação da mistura gasosa melhoram a sua condutividade pelas vias aéreas.

Benefícios:

  • promover a lavagem do volume de ar que é inalado pelo corpo, sem participar das trocas gasosas, o chamado espaço morto nasofaríngeo. Isso facilita a eliminação de CO2 e melhora a oxigenação;

  • reduzir a resistência inspiratória, diminuindo o esforço respiratório;

  • melhorar a complacência pulmonar;

  • evitar o ressecamento e a irritação das mucosas e manter a atividade mucociliar, garantindo a limpeza das vias aéreas;

  • permitir conforto para o paciente.

Quem pode se beneficiar da cânula de alto fluxo?

A CNAF tem sido utilizada em UTIs neonatais, especialmente no tratamento de recém-nascidos com síndrome do desconforto respiratório, pois permite um suporte mais suave, que minimiza a ocorrência de lesões nasais nos pequenos pacientes. É comum também no atendimento de crianças com bronquiolite e asma. No entanto, seu uso não se restringe ao âmbito pediátrico, tendo aplicações diversas em pacientes adultos, como pós-operatório, insuficiência respiratória aguda e desmame ventilatório.

[Veja nosso post: Como funciona a ventilação pulmonar mecânica em recém-nascidos?]

Há estudos que associam seu uso a uma redução nos índices de intubação endotraqueal. Pesquisas apontam também que, dependendo do quadro clínico do paciente, ela pode ser mais recomendada e tão eficaz quanto a pressão positiva contínua nas vias aéreas e a oxigenoterapia padrão.

Uso requer cuidados e monitoramento

Para que os benefícios da CNAF sejam assegurados, a instalação da cânula no paciente e sua utilização devem ser acompanhadas de alguns cuidados:

  • as pontas da cânula devem ocupar, no máximo, 50% da área transversal de cada narina, para que não haja obstrução ao fluxo;

  • os gases devem estar adequadamente aquecidos e umidificados, para prevenir o ressecamento das mucosas;

  • os fluxos ofertados pela cânula devem ser maiores do que o pico de fluxo inspiratório, evitando a entrada de ar ambiente durante a inspiração.

Além disso, as unidades de saúde devem ter protocolos claros sobre o uso da CNAF e equipes capacitadas para o adequado manuseio do equipamento. Outro aspecto importante é o monitoramento de alguns parâmetros durante a terapia [Acesse nosso post sobre Análises durante a ventilação pulmonar mecânica], como frequências cardíaca e respiratória e saturação de oxigênio. Havendo profissionais bem preparados para ajustar o dispositivo de modo compatível com o quadro clínico enfrentado, a cânula de alto fluxo nasal pode representar um suporte respiratório mais indicado em determinadas situações, trazendo o benefício de reduzir o esforço respiratório com mais conforto para os pacientes.

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